Fé
”A maior força ao serviço do desenvolvimento é um humanismo cristão que reavive a caridade e que se deixe guiar pela verdade, acolhendo uma e outra como dom permanente de Deus. (…) Pelo contrário, o fechamento ideológico a Deus e o ateísmo da indiferença, que esquecem o Criador e correm o risco de esquecer também os valores humanos, contam-se hoje entre os maiores obstáculos ao desenvolvimento.” (Caritas in Veritate, nº78)
A Encíclica de Bento XVI “Caritas in veritate” sobre o desenvolvimento humano integral, publicada em Julho de 2009, veio contextualizar da melhor forma o projecto de criação da Rede Fé e Desenvolvimento, para promover a sensibilização e mobilização da Igreja portuguesa para as questões do desenvolvimento global. Conhecendo melhor a realidade e reflectindo sobre o mundo que nos rodeia, perto e longe, será possível mobilizar e agir em Igreja e em colaboração com a sociedade civil por uma verdadeira transformação social.
Esta colaboração conjunta insere-se plenamente nas interpelações da Doutrina Social da Igreja e nos desafios lançados na Cimeira do Milénio das Nações Unidas, duas referências chave deste projecto.
A transformação social depende de grandes medidas políticas globais, que reclamam cada vez mais a ética e a verdadeira opção pelos pobres, mas concretiza-se num trabalho de proximidade como o que a Igreja, por todo o lado desempenha, na sua disponibilidade para dar voz por todos os excluídos e invisíveis que acompanha, e no potenciar de uma urgente mobilização das consciências individuais para este drama mundial e pessoal.
A Doutrina Social da Igreja pede-nos, em primeiro lugar, para olhar e (re)conhecer as injustiças que ocorrem à nossa volta (presentes em todos os tempos e lugares). Em segundo lugar, desafia-nos a reflectir e avaliar que respostas podemos dar a cada situação, à luz do Evangelho. Finalmente, convida-nos a agir, para que não sejamos meros observadores passivos, mas que nos deixemos tocar e transformar pelo que vimos, de tal forma que somos compelidos a agir.
A Rede é uma oportunidade de alargar horizontes, criando pontes entre as diferentes realidades de Igreja (local e universal), num processo de aprendizagem mútua. É ainda oportunidade de fortalecer a colaboração entre diferentes confissões e entre a Igreja e a sociedade civil.
A Igreja, testemunha viva de Cristo Salvador, deve dar a sua voz, com toda a sua força e inteligência, verdade e caridade, pelo desenvolvimento humano integral de todos os homens, em especial pelos mais pobres. Esta é uma oportunidade de o fazer, integrando, inspirando e dilatando a intuição e mobilização da sociedade global a que estamos a assistir. Somos chamados a fazê-lo e queremos responder a essa chamada, com toda a nossa vontade e criatividade.


